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  • Edvaldo Melo

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BUMBA-MEU-BOI, 0 MAIS PURO ESPETÁCULO NORDESTINO.



O Bumba-meu-boi, cuja origem perde-se no passado, liga-se às antigas festas religiosas, de Natal e de Reis, no nordeste. Misturando improvisação e narrativa tradicional, o bumba-meu-boi é hoje uma festa profana, levada em qualquer época do ano, para divertir povo e turistas. Encenadas em arenas públicas, que podem ser uma praça, um pátio, uma quadra de colégio ou qualquer local numa ponta de rua.
Pode ter até 65 personagens, entre gente, bichos e figuras fantásticas. Porém, ultimamente vem apresentando número cada vez mais reduzido de figurantes, devido a dificuldades várias, que vão desde problemas financeiros até o desinteresse das gerações mais novas.
O tema é a morte e a ressurreição do boi. Figura importante da mitologia rural nordestina. Porém uma infinidade de subtemas fragmentados entram na narrativa, cuja unidade é dada pela participação permanente do Capitão Boca Mole, ligando um quadro a outro. Durante a função, os atores, acompanhados pela "orquestra" formada por zabumba, pandeiro e ganzá, assediam costantemente o público, arrecadando dinheiro que, com exceção de espetáculos promovidos por organismos turísticos, é uma única forma de remuneração.
As mulheres não participam da brincadeira. Exceto no coro que acompanha a encenação, quando é possível ouvir-se alguma cantadeira.
O teatrólogo e romancista Hermilo Borba Filho classificou os personagens do aouto em três categorias: "humanos, animais e fantástico, existentes desde que se tem notícia da representação na região nordestina.
Os principais são:
Capitão Boca Mole, comandante do espetáculo, cantando, dançando e dirigindo a entrada em cena dos demais. Arlequim, espécie de pajem do capitão. Mateus e Bastião, moleques espirituosos e irreverentes que, munidos de bexigas de boi cheias de ar, espancam os outros personagens e até o público, em peripécias ilariantes. Catirina, Uma negra despachada, que termina quase sempre casando com Mateus. A Pastorinha, dona do boi, que o perdeu e o procura pelos campos e cidades. O Tuntunqué, valentão que acaba desmoralizado.
Entre os animais, o principal é, naturalmente, o Boi, encontrado desacordado numa estrada e que dá início à trama. A Ema, o Cavalo-Marinho (montado pelo capitão) e a Burrinha (cavalgada por um vaqueiro e terror da garotada, por investir ameaçadoramente contra quem avançar muito na roda de espectadores) são outros bichos encontrados em todo bumba-meu-boi.
Finalmente, entre os personagens fantásticos destacam-se a Caipora, gênio maléfico, da mitologia indígena: Mané Pequenino, figura de mais de três metros, toda de branco: Jaraguá, fantasma de cavalo: Babau, figura grotesca encimada por uma caveira de burro.

"CAPITÃO" ANTÔNIO PEREIRA, DE TIMBAÚBA PARA O MUNDO.


Capitão Antônio Pereira (1889 - 1981) Foto: Jornal do Brasil, 1979
Nascido no dia 11 de maio de 1889, em Timbaúba, Zona da Mata de Pernambuco, Antônio Pereira da Silva, filho de lavradores pobres criou-se no Recife, bairro da Mustardinha, onde viveu com a mulher e dois filhos adotivos. Foi operário, pedreiro e funcionário da Companhia Ferrocarril, que no início do século explorava na capital os serviços de bondes puxados a burro.
Aos 16 anos, começou a "tomar cachaça e dançar em bumba-meu-boi". Logo desejou ter seu próprio grupo, "para entreter o povo e me entreter também". Arranjou 45 mil réis emprestados e comprou o acervo do bumba de "seu" Eurico, que se apresentava no bairro de arreias. Armou uma espécie de circo no seu bairro e cobrando 500 réis de entrada por pessoa, rapidamente pagou a dívida, iniciando uma carreira profissional de sucesso.
- Já bati o mundo todo com esse negócio.Tá firmado em todo o mundo.
O "mundo todo", para o Capitão Antônio Pereira, são as fronteiras do nordeste oriental, alargadas até a Bahia, Rio de Janeiro e São Paulo. Aí, ele se apresentou em teatros, praças, recintos de congresso jurídicos e até na Universidade Gama Filho.
Outra fonte de renda, além das esporádicas apresentações do autor para orgãos de turismo, é a fabricação de miniaturas do Boi e outras figuras, réplicas perfeitas, de 30 centímetros de altura, em armação de madeira e pano. Foi casado três vezes e "11 vezes amasiado", teve quatro filhos legítimos, dois adotivos "e uma porção pelo mundo afora". As mulheres e a brincadeira preencheram sua viva: "mulher a gente arranja sem querer. Sempre teve mulher de sobra no mundo". E a dança, o canto, o representar são sentido único de sua existência.
Sobre ele e sua vida, Hermilo Borba Filho escreveu uma "louvação", pouco antes de morrer: "Lá vem ele, com todo o passo de mulatas, cocos, noitadas, sarapatéis, arruaçadas, lá vem ele com a madrugada na mão e a aurora na cabeçâ".
Bincando ele viveu, pois brincadeira é o nome que o povo dá à atividade do bumba-meu-boi, uma brincadeira onde expressa seu cotidiano, sua história fragmentada, seus temores, sua violência sem alvo, sua submissão ou sua ironia.

CONFERÊNCIA DE CULTURA








A 1ª conferência municipal de cultura elegeu Edvaldo Melo delegado de cultura nos seguimentos teatro e dança. Com a responsabilidade de representar Timbaúba e os direitos dos artistas locais, ele se fez presente na conferência estadual de cultura. Também marcaram presença a Sra. Dalva, Evandro (Bão), Mestre Paulo Molla, a Sra. Edna, Maurício, Carlinhos Araújo e Joselândio.


UNIART E ITAQUITINGA, UMA PAIXÃO QUE DEU CERTO



A parceria uniart (Timbaúba) e o grupo responsável pela Paixão de Cisto de Itaquitinga firmam acordo para mais um ano de êxito em 2010, graças ao sucesso do espetáculo em 2009. O técnico de som Jobsom Wagner conduziu as gravações do texto auxiliado por Egídio enquanto o teatrólogo Edvaldo Melo conduz a elaboração dos cenários, figurinos e adereços juntamente com o diretor do espetáculo Jefferson. O timbaubense Tony Silva tem a incubência de executar a montagem dos cenários que será um dos melhores de Pernanbuco. A encenação acontecerá no pátio da igreja e contará com arquibancadas para melhor visibilidade e mais conforto para a população. O espetáculo acontecerá no dia 02 de abril e contará com bastantes efeitos visuais. Os atores são todos da cidade de Itaquitinga.

RADIALISTAS DE SUCESSO


Os atores e radialistas Jobson Wagner e Edvaldo Melo, conduzem o programa FALANDO DE CULTURA COM MATEUS E CATIRINA, na Rádio Comunitária 87,9 "A voz do povo" de segunda a sexta-feira sempre as 8:00 horas na cidade de Timbaúba. Os personagens interpretados pela dupla de radialistas, destrincham com muito humor as teorias dos diversos segmentos culturais, seja do mais simples ao mais complexos e usando sempre uma linguagem popular. Os atores afirmam que aprendem bastante ao mesmo tempo que se divertem e ficam felizes quando são abordados nas ruas para comentarem sobre o programa.

PIRUAS, MATEUS E CATIRINA NA SEMANA PRÉ-CARNAVALESCA


O texto seguinte foi publicado no CORREIO DE NOTÍCIAS em fevereiro de 2010
" No dia 07 deste mês, os personagens Mateus e Catirina, interpretados pelos atores Jobson Wagner e Edvaldo Melo se apresentaram no arrastão do bloco Piruas de Timbaúba/PE. O desfile comemorou os 19 anos do bloco e 10 anos dos personagens. A festa foi acompanhada por uma multidão de foliões, saindo do bairro de Mocós e desfilando pelas principais ruas e avenidas da cidade. O ator edvaldo Melo, interpretando Catirina, esteve cercado por mais de cem "Piruas" - jovens vestido de mulher, ultrapassando os limites da criativadade. Mateus e Catirina seguem agora com suas apresentações na região. Dodó e Sandro, diretores das Piruas de Timbaúba, ficaram maravilhados com o trabalho da dupla e já firmaram contrato para no próximo ano comemorarem juntos os 20 anos do bloco."

PATRIMÔNIO CULTURAL MATERIAL E IMATERIAL

PARA ENTENDER, REFLETIR E PRESERVAR O PATRIMÔNIO.
Ao divulgar os patrimônios vivos, os materiais e os imaterias de Pernambuco, a Fundarp verificou que o processo de preservação estava associado à responsabilidade e iniciativa de diversos atores entendimentos dos seguintes conceitos:

CULTURA
A palavra cultura não tem apenas um significado. Segundo a antropologia, cultura é tudo aquilo construído pela humanidade, desde artefatos e objetos até idéias e crenças. Além disso, é todo comportamento apreendido pelo indivíduo, independente de sua herança biológica. Cultura, portanto, é a forma pela qual o homem vive e modifica o mundo ao seu redor, criando formas de viver e conviver. Cultura é essencialmente o modo de fazer e de viver do homem.

IDENTIDADE
Os antropólogos conceituam identidade como uma característica de um ser que se percebe como tal ao longo do tempo. Essa identidade pessoal passa para o plano cultural, que é partilhada de uma mesma característica entre diferentes indivíduos. Sabemos que cada um de nós possui várias características e que elas estão relacionadas a diferentes grupos sociais dos quais fazem parte. Sabemos também que ao longo da vida várias identidades são criadas, como por exemplo, a identidade materna, a identidade de estudante, de profissional, a identidade ética, entre outras. Assim, mesmo pertencendo a uma nação, várias outras identidades nos definem como pessoa. Cada País, Estado e Município também tem sua própria identidade que vai se diferenciar de outras e é essa identidade que vai fazer dela única e especial.

VALOR
Segundo os sociólogos, valor é algo significativo, importante para um indivíduo ou grupo social. Esses objetos podem ser, por exemplo, joias, roupas, fotografias, livros e também coisas imateriais como cantiga de ninar, receitas, histórias, etc.
A valorização pode acontecer de forma coletiva. Existem bens que não são importantes apenas para uma única pessoa, mas para todo um grupo. São esses bens, de valor coletivo, que caracterizam um grupo e que o diferenciam dos demais. Podemos dizer que o valor das coisas, além do aspecto monetário, é sempre uma construção subjetiva. É determinado pelas pessoas através do uso, da apreciação estética ou por questões afetivas como a identificação no objeto de parte da história da sua vida, da identidade de sua comunidade.

HISTÓRIA
A arte ou a ciência da história procura interpretar e narrar uma série de acontecimentos escolhidos dentre as ações humanas ao longo do tempo. Para os antigos a palavra história remetia ao histor, do grego, "aquele que vê". O poder e o saber de contar uma história estavam assim ligados à transmissão do testemunho de um fato memorável que se viu com os próprios olhos. A habilidade e as possibilidades de contar uma história, contudo, foram exercidas por muitos que testemunharam indiretamente vários fatos de "ouvir de" oupor terem estudado nos antigos documentos. Feitos e personagens grandiosos, especialmente os chamados grandes homens ligados à religião, à política e às guerras, foram privilegiaos. No caso da história brasileira, foi bem comum destacar nossas heranças quinhentistas portuguesas em detrimentos das indígenas e das africanas que construíram nossa nação. Atualmente , esboçamos uma nova história na qual nosso passado pode ser contado de várias formas no presente, interpretando e respeitando a diversidade cultural dos povos. A história vem contribuindo significativamente para a compreensão dos elementos de identidade individual e coletiva, integrando as histórias do local com o nacional e o global através da valorização, difusão e preservação do patrimônio cultural.

MEMÓRIA
Nossos sentimentos, atitudes e aprendizados feitos em diferentes momentos de nossa vida encontram na memória o lugar privilegiado de interações entre o nosso cérebro, nosso corpo e o mundo que nos cerca. Em seu significado latino, o ato de lembrar, recordar, refere-se àquilo que "passa pelo coração". Contudo, o que aconteceu mesmo passou, não volta mais, e, por isso, entre esquecimentos e lembramças fazem no presente escolhas de um tempo vivido. Os registros de nossas memórias podem ser então considerados uma das principais ferramentas, tanto da preservação, quanto da transmissão de valores e da identidade cultural e da história de um povo.

PATRIMÔNIO
A palavra patrimônio significa herança paterna ou familiar. Bens de natureza econômica herdados por alguém, ou acumulados durante sua vida. Os bens que fazem parte do patrimônio cultural não interessam apenas a uma única pessoa, eles são uma herança coletiva, pois são importantes ou representativos para a história e para a identidade de uma coletividade. Mas essa herança patrimonial não é estética, e sim, dinâmica, porque se modifica ao longo das gerações, de acordo com o surgimento de novas necessidades. O Patrimônio Cultural revela os múltiplos aspectos da cultura de uma comunidade. No Brasil, a busca pelo reconhecimento do patrimônio nacional se iniciou na década de 20 e até hoje se procura abranger a rica diversidade cultural do nosso território, tendo em vista o reconhecimento da miscigenação entre as culturas étnicas para a formação da identidade brasileira.

BENS CULTURAIS
São todas as atividades de modos de viver e agir de um grupo, bem como a materialização da manifestação da sua cultura. Ou seja, são bens culturais: a culinária, as construções arquitetônicas, as danças e rituais, as esculturas, os documentos, livros antigos, etc. Podemos então dividir ou classificar os bens culturais em materiais ou imateriais, pois possuem características e naturezas diferentes, em alguns casos harmoniosas.

BENS IMATERIAIS
O Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) e a Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e a Cultura (Unesco) consideram bens imateriais, as práticas e representações, as expressões, os conhecimentos, e as técnicas junto com os instrumentos, objetos, artefatos e lugares culturais a eles associados. Podemos citar como exemplos o caboclinho, as feiras, a quadrilha junina, o frevo, as rezadeiras, as parteiras, etc.

BENS MATERIAIS
Já os bens mateiais, de acordo com o Iphan e a Unesco, são bens de natureza concreta, ou seja, monumentos, núcleos urbanos, sítios arqueológicos, arquivísticos. Dividen-se ainda em móveis, quando podem ser deslocados de seu lugar original, ou imóveis, quando são fixos. Como exemplos de bens omóveis temos as igrejas, o casario, as esculturas, a casa-grande de um engenho, uma paisagem, achados arqueológicos, bens móveis integrados (a exemplo um altar mor, um painel de azulejos portugueses), etc. A classificação dos bens em tangíveis também é importante para a preservação eficaz de cada tipo de bem. Para a salvaguarda dos bens materiais, temos como principal instrumento o tombamento. Para os bens imaterias, o instrumento de proteção é diferente e bem mais recente: o registro.

TOMBAMENTO
O tombamento é o ato legal de reconhecimento do valor cultural de um bem, que o transforma em patrimônio oficial e institui regime jurídico especial de propriedade, levando-se em conta sua função social. É um ato administratrivo, cuja competência no Brasil é atribuída pelo Decreto-Lei nº 25, de 30 de novembro de 1937, realizado pelo poder executivo. Pode ocorrer em nível federal, feito pelo Iphan, ou ainda em esfera estadual ou municipal, com o objetivo de preservar, por intermédio da aplicação de legislação específica, bens de valor histórico, cultural, arquitetônico, ambiental e também de valor afetivo para a população, ipedindo que venha a ser destruídos ou descaracterizados. O nome tombamento advém da Torre do Tombo, o arquivo público português, onde eram guardados e conservados documentos importantes de sua história.

REGISTRO
Outro instrumento de que se dispõe para a preservação do patrimônio cultural é o Registro de Bens Culturais de Natureza Imaterial. Através do Registro se reconhece que um determinado bem faz parte do Patrimônio Cultural Brasileiro. Esse reconhecimento, de bens e expressões representativos da diversidade cultural brasileira por meio do registro, significa mais do que a atribuição de um título a um determinado bem cultural. Representa, principalmente, a trajetória e transformações que sofreu ao longo do tempo;seus modos de produção; de que são seus produtores; como se dá seu consumo ou modo de circulação na sociedade, entre outros apectos. Ou seja, consiste na identificação dos significados atribuídos ao bem e na produção de vídeos ou material sonoro sobre suas caracter´sticas e contexto cultural.
















 
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